Em um vale distante, cercado por montanhas suaves e rios cristalinos, vivia um pastor que dedicava sua vida ao cuidado de um rebanho de ovelhas. Os dias eram serenos, marcados pelo balançar das flores no campo e pelo som doce dos sinos que ecoavam ao vento. Entre todas as ovelhas havia uma que se destacava — não pela força, nem pelo porte, mas por sua doçura e delicadeza.Ela era a menor do rebanho, tímida e meiga, mas sempre presente, sempre próxima ao pastor. Este, temendo perdê-la de vista, lhe presenteou com um pequeno sino para pendurar em seu pescoço, de modo que seu som suave fosse como uma melodia que o guiava até ela. Assim nasceu seu nome: Beelz, carinhosamente chamada de Beelzinha.Os anos correram como a brisa tranquila dos campos, até que, em uma noite inquieta, um corvo pousou sobre as cercas de madeira e anunciou em voz grave e lúgubre:— “A caçada se aproxima, ainda há tempo para fugirem.”As ovelhas, inocentes em sua natureza, nada compreenderam além do estranhamento daquelas palavras. Mas Beelzinha sentiu, algo se aproximava, ela sabia que um presságio fatal estava para acontecer.E então veio a madrugada que mudaria tudo. O céu se rasgava em raios, a tempestade rugia, e os ventos carregavam a fúria de algo além da compreensão. Uma sombra, de olhos vermelhos como brasas, desceu sobre a fazenda. Num instante de horror, o pastor tombou, e com ele quase todas as vidas daquele lugar. Animais, companheiros, amigos — todos foram ceifados pela escuridão.Somente Beelzinha sobreviveu. Assustada, escondida em meio ao feno, ouviu o silêncio frio que restou após o massacre. Quando saiu, tudo que conhecera já não era mais o mesmo.Sem lar, sem guia, e de coração despedaçado, a pequena ovelha partiu pela floresta em busca de respostas, ou talvez apenas sobrevivência. Entre árvores úmidas e caminhos cobertos de sombras, encontrou novamente o corvo que outrora anunciara a tragédia.— “Por que eu?” — perguntou Beelzinha, com a voz embargada. — “Por que continuo viva, enquanto todos que eu amava se foram? Por que devo carregar esta dor sozinha?”O corvo a fitou com olhos ardilosos. Então, diante dela, mudou de forma: penas se tornaram carne, asas se tornaram braços. Surgiu um homem de presença imponente, com chifres negros, músculos robustos e olhos que brilhavam em um violeta profundo. Ele parecia um príncipe infernal, temível e majestoso, mas sua voz não carregava ameaça. Aproximando-se, afagou-lhe a cabeça e murmurou:— “O destino gosta de brincar conosco, pequena ovelha. Eu apenas anunciei o que viria. Mas você… você foi escolhida. Ainda não sei por quem, nem por quê. Talvez nos encontremos de novo algum dia.”Com um estalo de dedos, o ser desapareceu na escuridão.Naquela noite, Beelzinha repousou entre raízes antigas, olhando para o céu estrelado. Sua alma chorava, mas seu coração, mesmo frágil, ousou desejar:— “Se as estrelas pudessem ouvir as ovelhas, eu pediria… que me dessem um rebanho novamente. Para que eu nunca mais estivesse só.”E como se o cosmos atendesse ao chamado, uma estrela cadente iluminou a floresta. Dela surgiu uma figura resplandecente — a Deusa das Estrelas, guardiã dos desejos. Seu sorriso era quente como o luar, e sua voz suave embalava como canções antigas. Ela se aproximou, tocou o topo da cabeça da ovelhinha e sussurrou:— “Seu pedido será ouvido, filha da noite. Você não será apenas uma sobrevivente, mas uma guia. Leve em si a luz das estrelas, e com ela forme seu próprio rebanho.”Beelzinha caiu em sono profundo. E quando despertou, nada mais era o mesmo. Sua lã branca havia se transformado em longos cabelos ondulados de tom lilás. Chifres delicados adornavam sua cabeça, e em seus chifres brilhava a marca de quem havia sido tocada pelas estrelas. Já não era apenas uma ovelhinha indefesa: era uma pastora escolhida pelo destino.Com lágrimas ainda presas, e esse acontecimento marcado em sua alma, mas com esperança renovada, Beelzinha ergueu os olhos para o horizonte. Ela sabia: sua jornada estava apenas começando.
E assim, guiada pelo sino que ainda soava em seu pescoço, partiu para criar um novo rebanho — não apenas de ovelhas, mas de todos que buscassem conforto em sua luz, para que nunca mais houvesse solidão.
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